terça-feira, 14 de abril de 2009


“Fotografar é colocar na mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração.”

Henri Cartier-Bresson  

  A fotografia, logo que foi inventada, e nos primeiros anos de sua prática, surgiu como uma ameaça ao ofício do pintor retratista e paisagista, pois tem a capacidade de registrar imagens com mais precisão e realismo, além de ser mais facilmente obtida e custar menos. E realmente, a daguerreotipia (tipo de registro fotográfico antigo) se popularizou amplamente entre a classe média durante a Revolução Industrial, tirando o emprego de muitos retratistas à óleo. Este fato libertou a pintura da função de registrar e possibilitou os artistas a investir em abstrações e criações puramente artísticas, sem ligação direta com o real. Enquanto isso a fotografia ficou como herdeira do retrato e era tida como um “instantâneo de realidade”, algo do qual não se pode duvidar, um fato. No início do século XX foram inventadas câmeras fotográficas mais práticas e leves, foi introduzido no mercado o rolo de filme 35mm, fácil de carregar e que possibilita obtenção de várias imagens antes da revelação, facilitando muito o trabalho do fotógrafo e popularizando muito a prática da captação fotosensível.

  Antes da metade do século passado teóricos perceberam que quem bate a foto é uma pessoa, quem escolhe a cena, o angulo, o enquadramento é um ser humano repleto de subjetividade, além de que a pessoa que vê a foto pronta também tem sua própria interpretação da imagem. A fotografia é um processo semiótico, é um texto como qualquer outro, onde há vários símbolos escolhidos pelo autor e interpretados por quem a “lê”, de acordo com seu repertório próprio. Isto libertou também a fotografia da condição de “instantâneo de realidade”, e então foi possível incluí-la na categoria de Arte.

  Desde que foi inventada a fotografia evoluiu muito, veio a foto colorida, o foco automático, as câmeras pequenas, práticas e fáceis de manusear, ela se popularizou extremamente, se segmentou em vários estilos – fotojornalismo, fotografia de retratos, de paisagens, natureza morta, etc. E nos últimos anos ocorreu outra revolução do processo fotográfico: a Fotografia Digital, que possibilitou uma grande praticidade e barateou o custo da obtenção de imagens, pois dispensa o uso do negativo e da revelação. Hoje quase todos tem a cesso a fotografia, as câmeras são baratas, fáceis, foram incluídas até em telefones celulares.

  Porém ao mesmo tempo que é uma vantagem este acesso irestrito à fotografia, ele tornou-a uma coisa tão banal e costumeira que deixou de ter o valor artístico e subjetivo que ela costumava possuir. Perdeu a magia da revelação e da ampliação, da câmara escura, da luz vermelha, só quem já fez/viu sabe a satisfação que proporciona o surgimento de uma imagem em uma folha de papel branca ao molhá-lo no químico revelador.

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