Let's sing the blues...
quarta-feira, 30 de julho de 2008
não sou religioso, mas o Louie é foda!!!
Swing Low, Sweet Chariot,
Chorus:
Swing low, sweet chariot,
Comin' for to carry me home;
Swing low, sweet chariot,
Comin' for to carry me home.
I looked over Jordan,
And WHAT did I see,
Comin' for to carry me home,
A band of angels comin' after me,
Comin' for to carry me home.
Repeat chorus:
If you get there before I do,
Comin' for to carry me home,
Tell all my friends I'm comin' too,
Comin' for to carry me home.
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Pontos de vista

Os sem chão
Comunidade de índios Caigang correm risco de perder suas moradias no Morro do Osso por decisão da justiça.
Conforme folheto da prefeitura a história narra a presença de grupos indígenas Caigang no Morro do Osso desde o século XIX. E outros povos nativos provavelmente vivessem ali desde muito antes da chegada dos homens brancos nesta área. Porém devido à especulação imobiliária estes povos marginalizados na sociedade correm o risco de serem expulsos dali, onde tem suas casas e sua comunidade.
O Morro do Osso fica em um dos locais mais bonitos de Porto Alegre. Do alto dele se tem uma visão panorâmica de boa parte da cidade, além de ser um ponto privilegiado para assistir ao espetáculo do pôr-do-
sol no Rio Guaíba. Por isso o interesse em construir ali condomínios e moradias luxuosas para a classe dominante de nossa cidade. Porém nenhum rico comerciante ou empresário gostaria de ter índios “mal-cheirosos” e “vagabundos” perto de suas portas, fazendo fogueiras e vivendo como podem em seus barracos.
Outra questão é a ambiental, pois ali se encontra o Parque Natural do Morro do Osso, uma reserva florestal que ainda abriga um pouco da quase extinta Mata Atlântica. Ambientalistas afirmam que os índios ali presentes não cuidam da reserva, poluindo o ambiente, coletando vegetais e caçando os animais. Entretanto, quem somos nós para dizer que os índios são poluidores, quando as fábricas, as indústrias, as maiores emissoras de poluentes na atmosfera, água e solo, são todas controladas por brancos capitalista
s, estes mesmos que exigem a entrada de seu condomínio de luxo com vista para o Guaíba “limpa” de índios sujos.
Os índios já caçavam e coletavam ali muito antes da colonização européia dizimar grande parte da mata atlântica, e é o meio de vida que sua cultura estabelece, porém aos olhos dos capitalistas europeizados não passam de vagabundos por não valorizar a acumulação de capital e viver só com o que a natureza os oferece.
“No momento, estamos aguardando a decisão do juiz da Vara Federal Ambiental, Agrária e Residual de Porto Alegre decidir quais serão os estudos que devem ser feitos para comprovar que a terra realmente pertence aos índios”. Diz o advogado Luiz Francisco Corrêa Barbosa, o representante legal dos índios Caigang. Mas do jeito que nossa sociedade se baseia em preconceitos e na descriminação dos diferentes, é bem provável que essa decisão venha para tirar a moradia de mais uma comunidade indígena, comprovando a falta de tato de nossos representantes com esta questão tão delicada que permeia nossa história há mais de cinco séculos.
Parque Natural do Morro do Osso
Grupo de índios se recusa a deixar as terras invadidas no Parque do Morro do Osso e destroem a reserva florestal.
Em 1979 o novo plano diretor da cidade de Porto Alegre incluía uma área de preservação ecológica no Morro do Osso, uma ilha de natureza no meio da zona urbana de Porto Alegre. Em 1990, foi realizado o primeiro passeio ecológico para preservação da área e efetivação do parque. Em 1994, foi criado o Parque Natural Morro do Osso. Porém, parece que todas estas conquistas para a preservação ecológica estão indo por água a baixo, pois um grupo de indígenas que se estabeleceu nesta área se recusa a abandonar o local mesmo sabendo que se trata de uma área de preservação, onde não pode haver moradias com pessoas vivendo.
O Morro do Osso tem 143 metros de altura, faz parte da cadeia dos morros graníticos existentes em Porto Alegre e, por localizar-se próximo à margem do Lago Guaíba, tem uma das vistas mais privilegiadas do famoso pôr-do-sol do Guaíba. Com 220 hectares de área natural, constitui-se num importante reduto biológico, isolado no meio dos bairros Tristeza, Ipanema, Camaquã e Cavalhada, zonas bastante urbanizadas. É um dos últimos pontos onde ainda se encontra um pouco da mata atlântica, vegetação quase extinta pela colonização inconseqüente. E é a moradia de diversas espécies animais e vegetais, algumas até consideradas em extinção.
Entretanto, uma comunidade de índios Caigang se estabeleceu nesta área, e, diferentemente de seus ancestrais que respeitavam e cuidavam da natureza, estão transformando esta bela paisagem em mais uma favela, pois eles, além de não respeitar a área de preservação, caçando animais e derrubando árvores, deixam enormes quantidades de lixo pelo chão, fazem fogueiras que podem causar grandes incêndios na mata e constroem barracos que são como malocas.
Os Caigang afirmam que a área pertence historicamente aos índios, e que os brancos estão tentando retirá-los do lugar onde viveram seus ancestrais. Porém historicamente se sabe que esta área foi povoada por índios Guarani, que tiveram ali um cemitério (por isso o nome Morro do Osso), e os Guarani não são os Caigang, foram até inimigos. Portanto este argumento não tem o menor fundamento, tendo em vista que não viveram ali nenhum ancestral, e sim uma outra tribo sem relação. Isto não passa de mais uma tentativa de um povo que realmente é marginalizado e descriminado de se aproveitar de sua condição de diferente, sem pensar no dano irreversível que isso pode causar à natureza.
O Branco
Mas desta vez era diferente, nem era questão de chegar com um texto medíocre, era branco total, simplesmente ele não tinha nada pra dizer desta vez. – Como pode, eu sou um profissional – pensava ele – eu preciso ter algo para dizer, com tanta coisa acontecendo neste mundo: guerras, crises, o capitalismo selvagem engolindo os pequenos para manter os grandes com a barriga cheia, como posso não conseguir escrever uma pequena crônica, nem espero escrever um tratado sobre a paz no mundo, ou uma dura crítica aos severos problemas da humanidade. Não! É somente uma humilde crônica, uma crônicazinha, nem precisa ser boa, só o suficiente para garantir o tapinha nas costas, quando muito, mais um convite para jantar. Mas nada. Ele simplesmente não conseguia escrever nem um linha.
“A Ditadura na Venezuela”, não, esse tema é manjado, “Pirataria de ‘Tropa de Elite’”, nah, escrevi sobre isto na última vez... – quanto mais ele se esforçava para achar algo de que pudesse escrever, menos ele se inspirava para escrever alguma coisa sobre este algo. Era o fim, sua carreira estava acabada, o texto já estava atrasado, toda a edição atrasaria na espera de sua crônica e ele nunca conseguiria entregar nada, nunca mais conseguiria escrever, era melhor começar a procurar outro trabalho, com uma função mais fácil, talvez comprar uma van e vender cachorro quente na esquina, todo mundo come cachorro quente, e ele nunca teria problemas em conseguir fazer cachorro quente.
Uma coisa era certa: pra cronista ele não servia. Como alguém pode se considerar um profissional se nem consegue realizar sua função? É, ele realmente não era escritor. Tavez nunca tenha sido, nunca poderia ser. Até então sua vida profissional foi uma farsa, provavelmente nem O Editor gostava de seus textos, só o elogiava por pena, compaixão para com um pobre ser que confiava em suas habilidades, aquele tapinha nas costas nunca foi sincero, fingido, o convite para jantar também, mentira! Na verdade nem foi um convite, foi mais um: “Venha jantar conosco uma hora dessas, minha esposa cozinha muito bem.” Não um: “Quer jantar comigo na sexta?”, algo certo, se ele realmente quisesse sua companhia teria convidado-o assim, não sugerido levemente e depois nunca mais comentado.
Azar! – pensou ele – Vou simplesmente escrever sobre isso: a minha falta do que escrever sobre! Dito e feito, sua crônica saiu de uma só vez, em questão de minutos ele escreveu, uma linha após a outra, um texto até maior do que o exigido. Chegou na sala d’O Editor com uma idéia na cabeça: entregaria o texto esperaria-o ler e pediria demissão, ele tinha economias, poderia comprar a van de cachorro quente, parcelada, claro, até O Editor compraria seus cachorros quentes, e ele nunca mais precisaria enfrentar O Branco, pra cachorro quente não precisa inspiração, só maionese. Entrou, entregou a folha para O Editor, ele leu, leu, leu e ao terminar levantou-se deu-lhe um tapinha nas costas e disse: “Queres jantar na minha casa na sexta?”
